[COLUNA OPINIÃO] Equilíbrio emocional (de e por Marcão!)

Marcão é “o cara” para comandar o Fluminense? Ainda não há informações sobre se o interino vá assumir a temporada ou até as próximas, mas isso não impede de a gente brincar de bola de cristal. O futuro é com vocês! Pois, historiador que sou, vou olhar para o passado para pensar sobre.
Marco Aurélio de Oliveira assume como interino do Fluminense desde o dia 2 de abril de 2014, pode acreditar. Ao conferir a notícia dessa data n’O Globo, o trecho sobre a demissão de Renato Gaúcho aponta que Marcão foi contratado em 2013 como parte da comissão técnica de Portaluppi, mas a diretoria decidiu mantê-lo como interino naquele momento. Pela ferramenta datada do Google, não consegui precisar exatamente quando o ídolo tricolor se tornou auxiliar permanente, mas seu papel de interino foi constante até a rodada final do Brasileirão 2016, em empate (1×1) que marcou a queda do Internacional (RS) para a segunda divisão, mas também a sua dispensa. No início do ano seguinte, com apoio de Thiago Silva, dedicou-se aos estudos e alertou: “se não for pelo estudo, não vai entrar no mercado [de treinador]”. Sua própria carreira mostrou isso: iniciada em 24 de março de 2011, ao treinar o Bangu dois dias após aposentadoria como jogador do próprio alvirrubro levou o time da zona oeste para a semifinal da Taça Rio contra o Botafogo de Loco Abreu, mas a não permaneceu no bairro fabril; em fevereiro de 2012, assumiu o Bonsucesso (RJ) no estadual, mas o rebaixamento da equipe o levou para o River (PI) em abril daquele ano, também em curta passagem. Após os primeiros anos no tricolor, e ao completar suas primeiras formações, voltou à ativa em 12 de julho 2018 para coordenar o futebol do Bangu com grandes feitos: montou a equipe alvirrubra no Cariocão de 2019 em que, como auxiliar do técnico Ado, comandou vitória contra o Vasco em São Januário e quase classificou o clube operário para a final da competição. Em 24 de junho de 2019, retorna às Laranjeiras para auxiliar Fernando Diniz e ser auxiliar técnico permanente do Fluminense. Essa história, desde então, Wilson Fort conta à você.
Marcão tem a experiência de Felipe Luís, a idolatria de Fred e um apoio emocional tão capaz quanto de Felipe Melo, mas não é novato como nenhum deles é. Logo, não há susto caso assuma como técnico efetivo. Do contrário, o que aterroriza é o treinador ser tão subestimado, sobretudo pelo racismo que atinge a ele e os técnicos negros no futebol, como o próprio ressalta . Essa questão é muito importante para entender o olhar que temos sobre Marcão, afinal, orientações de Thiago Silva pesam sob ele de maneira diferente de como atingiu Renato Gaúcho durante a Copa do Mundo de Clubes em 2025, na campanha em que o ex-volante tricolor foi responsável pelo sucesso tanto quanto foi na Libertadores de 2023, nos títulos cariocas de 2023 e 2022, e na retomada de protagonismo no futebol brasileiro que o Fluminense exerceu de 2019 a 2021.
Elogiado por Germán Cano e Hulk no jogo contra o Palmeiras pela 23ª rodada do Brasileirão desse ano, Marcão mostrou aquele 4-1-4-1 com Ganso de articulador visto na metade final da temporada de 2019 e 2021, mas, pelo dito em sua coletiva após a partida, é possível notar diferenças com os seus trabalhas anteriores e, não menos importante, ao trabalho de antes, devido às mudanças realizadas em somente dois dias. Diferente de Luíz Zubeldía, o ídolo demonstrou compreender as nuances do jogo: no revés durante a etapa inicial, não permitiu que o alviverde assaltasse o controle de jogo e garantiu a confiança da equipe tricolor para empatar. O mesmo aconteceu na segunda etapa, pois de maneira oposta ao ex-entrenador, a troca de jogadores e esquema tático motivou time (e torcida!) para vencer, ao invés de só evitar perder ou garantir empate. Hércules retomou imposição física, Martinelli voltou com a invasão na área, Cano relembrou grandes performances de 2023 (mesmo mal fisicamente), Hulk se entrosou à equipe, Canobbio e Guga pararam de bater cabeça, Renê atacou e defendeu bem o flanco esquerdo, e o que dizer da partida do general tricolor Igor Rabello? De almanaque! Uma pena a lesão. Só Jemmes destoou. As entradas de Millán, Serna e Nonato consertaram o ímpeto físico da equipe e fez retornar o controle da partida para o Fluminense, perdido por um momento quando Acosta e Cano foram acionados. Me diga, leitor(a): quantas vezes o time degringolou com substituições, sob a batuta da comissão técnica estrangeira?
Enfim, esse artigo de opinião não é uma campanha para que Marcão siga à beira do campo, mas um convite para entender como a possibilidade é real. Sérgio Conceição, predileto da diretoria (e torcida!) tricolor, não parece ter o perfil de assumir em meio de temporada e, caso contratado, não traz na bagagem o sucesso garantido, pois precisará se adaptar. O ar de intelectual e capitania como jogador montaram a imagem de Felipe Luís no comando rubro-negro mas, dada a devida proporção entre suas carreiras, diga-me: os estudos de Marcão, a experiência como capitão, são tão diferentes assim do ex-rival? Sua postura com a braçadeira, elogiada até por Marcelo, é menos importante que a de Felipe Melo? Sua relação com Fluminense é mais distante que a de Fred? Os recorrentes elogios de quem acompanha sua carreira de treinador são irrelevantes? Nem aprovação de Carlos Parreira convence? Então o que faz? Diga, torcida tricolor!



Publicar comentário